segunda-feira, 25 de maio de 2015

Amaciante

Pegou as roupas estendidas, lavadas no fim de semana. Roupas ou uniformes, ou fardas para enfrentar o cotidiano. Enfrentar a chatice do mesmo.

O cheiro adocicado do amaciante era prenúncio de mais um dia de obrigações.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Puro Ego

Estou tentando ajudar uma pessoa, mas vejo claramente que tem muito ego envolvido.
Mulher envolvida e muita expectativa de ser aprovado, aceito, ser legal.

Projeções rodam na minha mente, suposições, expectativas. É novo pra mim enxergar essas coisas, não sei muito lidar com isso. Não quero reprimir ou me julgar, não sei observar com neutralidade. O que faz a observação criar mais um ego que vigia e quer derrotar o próprio ego.

Mas espero que com o tempo eu consiga lidar com essas projeções.

domingo, 16 de novembro de 2014

Fragilidade

Bem, pra ser sincero... em vez de atacar eu vou tentar ser vulnerável.

Esse meu discurso contra o "sistema de educação" é um grito.
E concluí que quando vc se sente frágil, a melhor forma de se defender é atacar. Atacar para não falar sobre a fragilidade.

O que eu queria falar então é:

Caros professores e diretores que passaram na minha vida.
Desde a primeira vez que eu pisei na escola, eu me senti deslocado. Estava com medo porque era tudo novo. Nunca soube muito bem o que estava fazendo na escola, porque eu teria de ir pra escola, vestir um uniforme que não queria e obedecer pessoas das quais eu nunca tive uma relação humana.

Não gostava da relação distante que tinha que ter com a professora. Senti-me perdido com o excesso de disciplina e rigidez, sisudez com a forma em que a aula era conduzida. Fazia as tarefas mais por medo do que por consciência.
Não sabia se o conteúdo que estava sendo passado pra mim era importante ou não, eu não tinha maturidade pra escolher o que aprender, ou saber o que era importante ou não para mim. Desculpe por eu não ter conseguido essa maturidade.
Desculpe por muitas vezes não conseguir entender o que era passado em aulas, eu tinha dificuldades em aprender. Desculpe por minha deficiência.
Eu tinha dificuldades de me manter interessado no que era passado, eu não tinha interesse. Me desculpe pelo meu desinteresse. Na verdade eu queria era brincar, e não via a hora das aulas acabarem pra eu poder ser eu mesmo novamente.
Eu me senti confuso no meio disso tudo e acabei perdendo o interesse em aprender.
Não achava que estudar era importante, e nunca compreendi que aprender tem de ser chato e penoso.
Eu não consegui me esforçar.
Na verdade nessa época eu não tinha muito interesse em aprender. Eu só queria ser amado, acolhido e respeitado.

Espero que todos vcs me desculpem e compreendam do porque eu fui um mau aluno, tirava notas ruins e não gostava de fazer os deveres de casa.

Grato pela atenção de todos vcs.


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Poema do ciclo e da sinceridade

O fogo que outrora em mim ardia
Ao ver te maquiada e bem vestida
Estimulava falsas investidas

Fingi que era amor mais uma vez
Hormônios dominavam o meu ser
Queria a todo custo ter prazer

Mentiras que contei pra te despir
Desenbolsei dinheiro que não tinha
Apenas uma noite pra dormir

Sumi com um cinismo impressionante
Calei como uma pausa dissonante
Apenas uma noite pra eu fugir

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Sou apenas olhos

A câmera pode fazer com que vc viva mundos diferentes. Seria como um passaporte para algumas áreas do conhecimento onde eu dificilmente teria acesso.
Fui jogado em uma fogueira para monitorar uma turma de atores, cujo exercício era fazer um monólogo em frente da câmera.

Lá fui eu...

A professora atriz nem tão bonita assim, mas o fato de ser atriz a deixava com um ar de expressividade, presença e excentricidade que diferencia um artista de uma pessoa comum. Eu sempre tenho o hábito de achar que os artistas tem uma áurea de superioridade, de santidade ou seja lá o que for... mas que estão acima de um patamar de nós , reles mortais.
Eu sempre quis ser um artista, embora nunca achei o meu talento artístico. Tentei desenhar, tocar instrumentos e não tinha nenhum talento pras artes.

Os alunos fizeram o exercício e depois a professora analisou. Lembrei dos Masterclass de música onde já fui espectador. Apesar de não entender nada, achava fascinante o mestre apontar para o aluno as falhas, as nuances, detalhes de interpretação. Assim ocorreu nessa aula que eu acompanhei.

Fiquei fascinado, queria fazer mil perguntas depois... mas acabou comigo tendo de ser neutro. Não iria alugá-la, apensa recolhi meu material, entreguei ao almoxerifado e rumei pra casa, pensando na aula.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Assaltado perto de casa

Se escrever ajuda um pouco, vou contar meu relato.
Essa semana fui assaltado perto de casa e resisti ao assalto.

Estava passando por uma rua estreita que dá acesso ao meu bairro por volta das 19 hrs. Há 14 anos faço esse caminho sem receio nenhum. Geralmente, nesse horário há alguns adolescentes conversando na rua. Não tão diferente, eu vi alguns deles dentro do portão de uma casa, sentados conversando.

Sem eu perceber, para na minha frente dois caras numa moto me pedindo informação, mas já com a moto impedindo minha passagem.  Parei e em pouco tempo encarei os dois, já suspeitando do que se tratava. Desce um da garupa e me diz:

-Vai passando logo a sua mochila aí !

Não sei o que deu na minha cabeça. Foi uma certa convicção. Na minha mochila não havia nada mais que livros e anotações. Decidi resistir e disse:

- Não vou dar Porra nenhuma não !

O cara me chutou na altura do joelho esquerdo. Eu vou em direção a molecada ao portão e tento fingir que os conheço e logo digo pra um deles:

- Você pode me ajudar? Estou sendo assaltado.

O meninos correm desesperados para dentro de casa. O cara da garupa nesse instante me faz ameaça de morte dizendo que está armado. Mesmo na escuridão percebo que é só sua mão simulando um revolver apontando pra mim. Ele sobe na moto e continua fazendo movimentos patéticos de ameaça, dobrando o polegar direito.

Ainda desarmados, são dois contra um. O meu plano é correr ! Em 300m sei que pode haver algum segurança do meu bairro e é isso que faço.
Corro o máximo que posso enquanto eles me perseguem de moto. Mas entram em uma rua paralela da minha casa. Estou seguro e adrenalizado. Mas a salvo.

...

O sentimento mais primitivo de enfrentar ou fugir toma meu corpo inteiro todas as vezes que lembro disso. A sensação de impotência numa hora dessas é desorientador. A vontade de resolver isso tbém.

A maior arma que esses caras utilizam é nosso medo. O mais prudente era eu ter entregado a mochila. Pois sempre há aquela hipótese: e se o cara está de fato armado. Mas dessa vez não estava.

Como disse anteriormente, não sei o que deu em mim que eu tive essa convicção de resistir. Pela forma como ele me abordou, me pareceu um tipo de furto, um trombadinha querendo tirar proveito.
Já passei por situações assim algumas vezes, fiquei intimidado e entreguei de pronto o que tinha. Isso ficou rodando na minha cabeça, um remorso de ter sido tão passivo e impotente. E fez com que eu tomasse a atitude que tomei.