quarta-feira, 17 de abril de 2019

Desistência lúcida

Depois de três tentativas, eu realmente desisti. É preciso largar, quando vc percebe que está dando importância para algo, que não vai rolar.

Vc marca algo com alguém que considera importante... que vc queria conhecer deveras, mas essa pessoa simplesmente não se importa e trata isso como algo banal. Simplesmente demora pra dar satisfação, ou tem outras coisas importantes para fazer e desmarca um compromisso assumido... são dois pesos e duas medidas.

Escrevi versos a mão. Para entregar pessoalmente... Com todo esmero e consideração. Toda uma coletânea de contos e poesias, do passado, mas que eu realmente queria entregar como um mimo.
Todo o trabalho de escolher o envelope adequado, a caneta adequada.. o capricho da caligrafia...
E as flores que preparei... e toda a minha expecitativa... Enfim, murcharam juntas.

Não sei o que faço com os manuscritos agora... simplesmente não sei. 

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Espinhos e barreiras

Aos 16 anos eu comecei a me interessar por literatura...

Não sei o que deu na minha cabeça que pensei que teria de desenvolver minha inteligência, melhorar meu vocabulário. Daí comecei a pegar os livros que tinha disponível na estante da minha casa e fazer leituras.

Dois livros foram a base para eu enriquecer meu vocabulário. Lucíola de José de Alencar e Lira dos Vinte anos de Álvares de Azevedo.
 
A verdade que eu não entendia nada.. lia e relia várias vezes capítulos, textos e poesias... para ver se assimilava alguma coisa... mas nessa época eu era um principiante a leitor... e é um processo muito duro e difícil...
Não havia internet ... eu não tinha amigos.. nem familiares que se interessasse por literatura.. eu não tinha com quem pegar referências, dicas, com quem eu pudesse conversar.

Fui sozinho, buscando livros em sebos. Lendo livros escolares para construir conhecimento. Nessa época, meu professor de português era um doido da cabeça que não dava aulas. Simplesmente ele não dava aulas.

Buscava na Televisão conhecer mais... ligado na Tv cultura, qualquer entrevista, qualquer video aula, qualquer coisa que tivesse ligação com literatura. Era árduo assim...
Lembro de ficar esperando até a madrugada, onde o Prof. Pasquale tinha um programa e de vez em nunca ele analisava uma poesia... e fazia uma entrevista com um escritor ou um músico. Mas isso não passava de 15min de conteúdo.

Era assim... uma vida solitária... quando a internet ficou mais acessível... carecia de conteúdo. O youtube não existia... e todas as amizades que eu tentava fazer virtualmente relacionada ao interesse com literatura, não davam certo.
Só tem povo maluco na internet.

Quando fiz um ano de cursinho... ia para as aulas de sábado onde poderia praticar redação e fazer as aulas dos livros listados para a fuvest...
Mas a professora era interrompida de 15 e 15min, por algum aluno que gostava dela e queria falar com ela.
Sempre, no meio da aula, via alguém pela janelinha de vidro da porta, dar tchauzinho e cumprimentá-la .. então era sempre parava a aula e ia lá dar atenção.
A aula não fluía... e assim foi... 
Eu ficava pensando.. por que era para ser tudo tão difícil assim? Será que querer mais conhecimento, ter mais consciência, ter espírito crítico é um crime?
Por que não tive nenhum professor competente, interessado em transmitir conhecimento? Por que simplesmente ninguém se importa?

Até hj não tenho respostas... simplesmente perdi meu interesse por literatura.. por ler por correr atrás.
Hj estou mais maduro, sei que se retomar a leitura será mais fluida e mais crítica.. mas estou cansado desse processo.
Mas sou grato por essa caminhada... me abriu a cabeça pra muitas coisas... e me ajudou em outras áreas do conhecimento... hj consigo ler e entender um texto com clareza, sem grandes dificuldades.
Aprendi sobre períodos históricos, obtive uma noção de estética.. de contexto.. que não seria possível se eu não tivesse exercitado esse lado, com meu interesse por literatura.

Mas ainda continuo sozinho... sem ter o que dizer, sem alguém para ouvir o que tenho para dizer...
Como sempre digo por aqui... as coisas para mim parecem trancadas... não fluem...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Aulas de violão

Na minha ignorância, eu achava que as pessoas nasciam com uma aptidão adquirida e caso eu não nascesse com essa aptidão, jamais poderia desenvolvê-la.
Nunca havia passado na minha cabeça que eu poderia tocar um instrumento. Pois, eu olhava qualquer instrumento e não sabia o que fazer com ele.

Até que um dia um colega de escola disse que isso não tinha fundamento. Era só entrar em uma escola de música que qualquer pessoa tem o potencial de aprender.
Isso foi revolucionário pra mim...
Logo que demonstrei interesse, um tio meu que tocava violão e era cego... se propôs a me dar algumas aulas antes que meus pais comprassem um instrumento... e ele me emprestou um violão.

Fiz algumas aulas e fui pegando aos poucos... mas não me dedicava. E até hj eu não aprendi a tocar.
Eu tiro algumas músicas, dedilho...mas eu digo... não tem musicalidade, nem consistência no que faço. Imagina alguém que reproduz um texto ou uma poesia mas que não sabe o que está falando.
É tipo isso que acontece comigo... eu reproduzo notas.
Ou mesmo uma pessoa alfabetizada... conhece as letras e sabe decodificá-las... mas é um analfabeto funcional. Não tem a capacidade de interpretar um texto corretamente, pois lhe foge a compreensão.
É tipo isso tbém que acontece comigo.

Entrei nesse assunto...
Porque dentro dessa minha jornada de querer tocar... sempre sonhei em fazer parceria com uma moça que cantasse bem. E isso nunca aconteceu.
Todas as bandas que formei.. além de eu tocar mal... os vocalistas não sabiam cantar uma nota afinada.  Era frustrante ao extremo.
É curioso... que parece que tudo na minha vida é atravancado.. não flui... não acontece..
Como se eu fosse incapaz de fazer algo direito.. com qualidade.
Demorou um pouco para eu enxergar todas as minhas deficiências... e fato que não consegui corrigi-las, mas hj ao menos eu entendo as causas do meu não desenvolvimento.

Estava vendo um vídeo de um amigo meu... que abriu um canal com uma cantora, até que famosinha. Dessas bandas formadas em Reality Show... e era justamente isso que eu queria ter realizado na minha vida.
Tocar ao lado de uma mina que cante bem... porque isso me emociona.. Porque sou homem e sinto atração por mulheres que cantam bem, ou tem um viés artístico. Porque a voz feminina me soa mais agradável que a masculina...
Enfim... é ele no violão, fazendo uns arranjos interessantes e ela com sua voz, carisma e potência... reinterpretando músicas famosas.
Não sinto inveja, nem frustração quando vejo seus vídeos... Sinto orgulho de ter um amigo que toca bem. É o talento dele, é o percurso dele... são os frutos que ele colheu por sua diligência.
O fato de eu ser amigo dele.. não me faz músico... nem especial... os méritos são dele.



quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

lágrimas em palavras

Homem, descendente de japoneses, duro e enrijecido... com dificuldade de chorar.

Assim, dissimulando a minha patética fragilidade... escrevo um monte de asneiras, cheio de ironias, de amargor... para esconder a minha fraqueza.. aquilo que em mim, está preso e eu não consigo cuspir.

Essa é a única forma que eu tenho de me defender e enganar a mim mesmo.
Lágrimas em forma de palavras.

Um dia, um nunca

Como seria se um dia sentássemos para conversar?

Eu ficaria extremamente nervoso. Pois as palavras que não saíram há 20 anos atrás de minha boca, talvez fluíssem...
Toda a curiosidade, fascinação, projeção... sairia da minha mente para a boca...
Esse instante para mim seria um milagre, para ela, mais um dia cotidiano.

Injusto se por abaixo de uma hierarquia... como no poema.. me sinto inferior, pecador, limitado...
Ela... não ... ela, a beleza de um anjo... um sorriso devastador, um perfume sufocante.. uma luz em meio a escuridão... e eu a própria sombra de sua luz.. .como todos ali.

Aquele silêncio era um pedido de socorro... o silêncio de hj seria cautela, timidez... ou mesmo, bloqueio... ando ainda calado...escrevendo pouco, falando pouco, sonhando pouco.

Eu sei que estar ao lado dela, seria apenas um instante de vida.. um nada...
há pessoas que não nasceram para ter algum contato.. seus destinos são rios distantes...
sinto isso o tempo todo,  com todas as pessoas que admiro.


domingo, 23 de dezembro de 2018

Expressão

É recorrente eu chegar aqui e tentar escrever sobre minha experiência musical.
Tentei aprender violão, mas na verdade o que eu tava em busca era aprender a linguagem musical.
Mas trazendo mais pra trás, na verdade eu queria é achar alguma ferramenta de expressão artística.
Em todas as atividades artísticas que me engajei... fracassei.

Quando pequeno eu tentava desenhar... depois veia a música.. e depois eu tentei a escrita.

Demorei anos para perceber certos problemas que haviam comigo... sempre me perguntei por qual motivo eu não conseguia me desenvolver em nada.
A verdade é que hj, eu penso que o autoconhecimento precede a expressão artística...
Alguns tem naturalmente uma tendência a saber se comunicar ou se expressar seja qual ferramenta que for, ou aquela que melhor se identifica.

Eu não se explicar direito... a verdade é que desde a pré adolescência aconteceu comigo uma desconexão.  Talvez por alguns traumas que eu passei.. eu meio que me desliguei de minha sensação, de minha alma.
Eu vejo assim... vc tem a inteligência conceitual... e essa é muito estimulada no processo de educação ocidental. Mas existe a inteligência emocional.. esta é negligenciada..
Mesmo matérias como arte na escola... não é bem direcionada.. no fim, eles empurram em vc mais e mais conceitos, mais e mais cobranças, que no fim vira só mais uma ferramenta de opressão, o que seria para ser uma libertação... ou um estímulo ao espírito crítico, criação... etc.

Com meditação fui aos poucos descobrindo o que é expressão... acontece é que eu me reprimi tanto, durante tanto tempo.. que tudo o que fazia, toda a atividade... era sem expressão... e sem vida.
Cadáver vivo, ou robô... assim, eu fui vivendo.. não sei explicar com palavras... só quem passou por isso, pode saber o que éh.Tem gente que é assim, mas não se percebe.

Quando aos poucos vou recuperando a minha capacidade de expressão... vejo o quanto é natural... vc querer se expressar de alguma maneira.. seja pela fala, pelo corpo... ou pelo som...
E é aí que gostaria de enfatizar... vc pode estimular alguém a tocar um instrumento, a dançar ou seja lá o que for...
mas o mais importante... é primeiro que o indivíduo se conecte com aquilo que é mais básico nele... a expressão, a emoção.. o sentimento.. em contato com isso, e conhecendo bem isso... naturalmente ele vai buscar uma ferramenta para se expressar.
Aí sim faz sentido ele fazer estudos.. entra a técnica... que seria ele aumentar sua capacidade de repertório, e a eficiência com que ele irá transmitir sua mensagem. Ou seja, ele vai expressar aquilo que não tem como descrever em palavras, imagens... aquilo que não se dá pra conceituar.
O que sinto, é que eu fiz o processo contrário.. me enchi de conceitos e conhecimento, antes de tentar achar em mim mesmo, a minha própria experiência.. como se arte, fosse uma forma... uma fórmula...
mas não éh.

Deve ser por isso que como seres humanos, produzimos cultura.. éh uma necessidade essencial.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Distância

Depressão, ela te atinge... por inúmeros fatores.

Só sei que dessa experiência tiro lições.
Ninguém quer se envolver com um deprimido.. é difícil entendê-lo e fácil julgá-lo.  E eu sei o quanto é difícil mesmo aturar alguém que não se atura.

Mas busquei ajuda profissional. Apesar de toda a dificuldade de sentir, ainda havia em mim uma frestinha de discernimento e consciência.
E aos poucos fui percebendo que só eu podia entender o que se passava comigo. E isso não é privilégio meu, mas só cada um pode saber o que se passa na própria cabeça... sendo experiência de dor, alegria ou prazer.

Não sei explicar, não tenho como explicar o que é não sentir. Estava em um estado de dor intenso...
Se o terapeuta não entender isso.. que simplesmente a pessoa a sua frente é um cadáver vivo... ela não tem como ajudar. E eu sei o que é sentir-se assim.

Quais os motivos que te fazem chegar a esse estado? Não sei dizer ao certo.. tenho algumas hipóteses, mas nada é simples assim.
É fato que eu me senti... de certa forma impotente e abusado psicologicamente.. Não sexualmente.. mas os sintomas que eu tive, são muito semelhantes ao que as vítimas de abuso sexual sofre.
E a pior de todas é vc mesmo se sentir culpado pela situação... ou responsabilizado por ela.
Como se vc expõe a sua dor... e no fim, vc é o culpado por sentí-la...
Uma terapeuta simplesmente me fazia sentir assim... não sei, sinceramente não sei se ela tinha ou não razão.. vou investigar isso depois... pois ainda estou no processo de curar-me..

Preciso de maturidade pra julgar isso... mas sei que vou usar esse sofrimento para entender aqueles que não são compreendidos.