Você pode até dizer que a culpa do país são dos políticos. Mas que tu é isento de atos corruptíveis, muito difícil... São pequenos atos que dão vazão aos grandes... por isso, antes de apontar o dedo na cara, eu revejo minhas atitudes...
Sexta série... devia ter por volta de uns 12 anos.
Havia aquele lance de vender rifas no período das festas juninas. A escola incentivava os alunos a venderem as tais rifas, e como recompensa para a melhor turma, ou seja, aquela que vendia mais rifas, eles prometiam uma excursão.
Esse lance já começa errado... se a escola precisa de dinheiro, sendo que ela é paga... não tem nada de ficar metendo os alunos em seus problemas administrativos. E é errado privilegiar uma turma, porque ela... vendeu mais.... coisa que não tem nada a ver com educação... seria plausível ela prometer que iria dar uma excursão para a turma com as melhores notas.... enfim, a porra toda já começa corruptível.
E eles permitiam que vendessemos doces para comprar as rifas, mó esquema errado... e proibiam o futebol maroto...
E olha só... prometiam investir esse dinheiro para a sala de audiovisual... pufsssss.... sendo que a gente quase não usava aquele muquifo e mal trocavam os equipamentos de lá.
Enfim...
Começa a brincadeira... Como era de praxe, a turma vencedora era sempre a que tinha a professora Terezinha como coordenadora... sei lá que paranauê essa mulher fazia, acho que desenbolsava para comprar as rifas, ou tinha um monte de contatos que compravam dela... Essa era a tradição, era como se todo o ano, ela defendesse o título da classe que vendia mais rifas...
Isso é que dá, falta de sexo e objetivo na vida...
Eis que minha classe tem uma brilhante ideia... sendo que nossa coordenadora de classe era a professora Linda, que era feia pra carai... Péssima professora por sinal.
O cara mais maroto da classe, tipo, desse safados... sugeriu que cada cabeça desse 1 real, o que na época equivaleria uns 8 reais ou 10 de hj. Com esse dinheiro ele compraria os doces para vendermos na escola e com esse dinheiro, comprássemos mais rifas e etc.
Todo mundo participou...
O cara de fato comprou os doces e distribuiu para a classe revender... Caixas de chicletes, paçocas, pé de moleque, pirulito... decks e mais decks de doces... E a classe foi pra guerra contra a classe da Terezinha.
Só que não havia tesoureiro e nenhum controle... fora que a gente via o povo que vendiam os doces, comendo doces....opa, tem coisa errada aê... o cara que administrava a parada fazia isso direto, dizendo que estava pagando do dinheiro dele.
A classe ia fazendo mais dinheiro, comprando mais doces, comprando mais rifas. Mas até aê, a corrupção já havia se instalado... eu desconfiava muito que o tal do cara pegava um por fora... não havia prestação de contas nem controle nenhum.
Eu peguei uma caixa de chicletes pra vender... mas não conseguia, pois, meu carisma é zero...
Levei a caixa pra casa... eu e minha irmã fomos comendo os chicletes e ela me dizendo: anota aê que no final a gente paga... Só que eu não anotava porra nenhuma e quando dei por mim, comemos a caixa de chicletes toda. Não fazia a mínima ideia de quanto teria de pagar por aquilo...
Eu poderia não fazer nada, já que ninguém sabia que eu tinha pego a caixa para vender.
Mas, cheguei pro cara que organizava a parada, dei dois reais pra ele dizendo: Tá aqui o que eu consegui vender de chicletes.
Eles simplesmente pôs o dinheiro no bolso da calça!!!! kkkkkkkkk .....
A guerra contra a Terezinha virou pessoal... não me lembro mas criou-se uma rivalidade, acho que ela estava trapaceando em alguma coisa, vendo que a gente tava fazendo frente, quase ganhando da classe dela. Ela deve ter maquinado algo, que achamos injusto.
Teve um dia que o pote de paçoca caiu toda no chão... os neguim em vez de jogar fora... pegaram todas as paçocas que ficaram intactas e puseram no pote para revender.... e para batizar o feito, ofereceram um para a Terezinha... que inocentemente comeu !!!!
Cara, nós tínhamos 12 anos e fazíamos toda essa parada errada. Imagina esse povo no Congresso....
No fim a Terezinha ganhou... a Linda elogiou o nosso trabalho... e o menino lá que organizou, ficou rico.
Hoje, devido a denúncias anônimas... reabriu-se o inquérito com a investigação da Polícia Federal... Chama-se operação Willy Wonka...kkkkkkk
Eu fui pego na investigação... minha pena é de 12 anos... mediante delação premiada, estou nesse blog, ameaçando citar alguns nomes que fizeram parte dessa operação, para possíveis negociações.
sexta-feira, 14 de abril de 2017
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Soneto de Bach
Esses dias nos intervalos que tenho entre minhas práticas meditativas, tenho pego meu violão.
Fazia uns 2 anos que eu não tocava, sempre toquei mal, não tenho talento pra coisa.
Pra minha surpresa... mesmo sem praticar, hj me sinto mais maduro e estou tocando melhor. Não digo em relação a fluência, mas expressão. A meditação desacerela um bocado a mente, logo, sua percepção das notas melhora... tbém melhora seu foco e presença. Sinto-me mais espontâneo e generoso comigo e com minhas limitações. O importante é se sentir bem tocando.
Peguei as antigas partituras e fui relembrando as músicas que eu estudava.
Lembrei de uma música que eu gostava de tocar, um Soneto de Bach. Pra minha surpresa, tirei a música e a decorei mais rápido do que eu imaginava.
Logo lembrei....
Que na verdade, eu tentei tirar essa música na época para tentar impressionar uma menina. Ela tocou esse soneto no piano e disse que gostava dele.... Aí eu passei a semana inteira apanhando tentando aprender a tocar essa música com fluência, mas não rolou. Estava acima de minha capacidade na época.
Não toquei o soneto e na mesma semana... queria me declarar pra ela. Fiquei pensando éh hj, éh hj...
Combinamos de ir juntos até determinada rua, ao sairmos da escola. Tinha até aquele ponto pra tomar coragem... fiquei adiando o momento... Até que nos despedimos, sem que eu dissesse nada.
Não toquei o Soneto. Não toquei os seus lábios. Apenas a acompanhei virando a esquina... seria a última vez que a veria pessoalmente.
Em meses, eu viajaria para o Japão, para trabalhar.
Fazia uns 2 anos que eu não tocava, sempre toquei mal, não tenho talento pra coisa.
Pra minha surpresa... mesmo sem praticar, hj me sinto mais maduro e estou tocando melhor. Não digo em relação a fluência, mas expressão. A meditação desacerela um bocado a mente, logo, sua percepção das notas melhora... tbém melhora seu foco e presença. Sinto-me mais espontâneo e generoso comigo e com minhas limitações. O importante é se sentir bem tocando.
Peguei as antigas partituras e fui relembrando as músicas que eu estudava.
Lembrei de uma música que eu gostava de tocar, um Soneto de Bach. Pra minha surpresa, tirei a música e a decorei mais rápido do que eu imaginava.
Logo lembrei....
Que na verdade, eu tentei tirar essa música na época para tentar impressionar uma menina. Ela tocou esse soneto no piano e disse que gostava dele.... Aí eu passei a semana inteira apanhando tentando aprender a tocar essa música com fluência, mas não rolou. Estava acima de minha capacidade na época.
Não toquei o soneto e na mesma semana... queria me declarar pra ela. Fiquei pensando éh hj, éh hj...
Combinamos de ir juntos até determinada rua, ao sairmos da escola. Tinha até aquele ponto pra tomar coragem... fiquei adiando o momento... Até que nos despedimos, sem que eu dissesse nada.
Não toquei o Soneto. Não toquei os seus lábios. Apenas a acompanhei virando a esquina... seria a última vez que a veria pessoalmente.
Em meses, eu viajaria para o Japão, para trabalhar.
quinta-feira, 23 de março de 2017
The Underdog
Fazendo um gancho com a história anterior, me veio uma memória dos tempos de escola.
Aula de educação física na quarta série. No fim do ano o professor começou a dar umas provas de corrida. Ninguém gostava pois todo mundo queria é jogar futebol, volei etc.
Começou assim...
Era uma prova de tiro curto. Devia ter cerca de uns 80m no máximo. O professor separava sempre uma bateria com 2 alunos, dava o start e marcava o tempo. Quem tivesse o melhor tempo, tirava a melhor nota e assim, as notas iam baixando conforme essa referência.
E é claro... eu... que andava com os nerds da classe, que era um dos últimos a ser escolhidos no futebol, tomava pau... não ia bem. Mas calma que essa história tem um porém...
Feito a prova, olhávamos o tempo... o cara mais veloz, era um tal de Ramos. E pra piorar o cara era do tipo, metido insuportável. Ele olhava o tempo dele, via que era o melhor e saía falando aos 4 cantos: - O RECORDE É MEU !!!!
Fora que ele era um dos caras que era bom em Futebol e tbém o que tinha sucesso com as menininhas.
Um dia o professor mudou o teste. Ainda era corrida, mas seria teste de longa distância. Em lugar de 80m, seria uma prova de 5min direto, correndo. Como o prof. sempre fazia em ordem alfabética, começaram a ter as primeiras baterias, cerca de uns 15 alunos por bateria... Meu nome, começava com L , logo, eu iria estar na bateria do Ramos.
Quem fizesse mais voltas em torno de 5min era o cara... o Ramos estava confiante...
E eu, estava ansioso. Pois sabia que era hora de desbancar o Ramos. Eu sabia que podia.
Explicando melhor... eu era ruim em esportes, mas eu fazia atletismo e ninguém sabia. Por que eu não ganhei do Ramos na prova de 80m? Porque a minha especialidade sempre foi longas distâncias. Eu corria bem, sabia disso, mas nunca havia me testado na escola.
O professor chama os nomes que irão correr junto. O Ramos está na minha série... é a hora da verdade.
Começa a corrida... Ramos dispara na frente. Eu vou só acompanhado o ritmo dele na maciota, estudando como ele vai proceder. Aos 2min, já vejo que ele tá num ritmo fraco, logo o ultrapasso, depois de brigarmos por algum tempo... ele tenta ficar na minha bota, mas não consegue... me vê distanciando cada vez mais. Seu reinado está acabando.
E é então quando eu percebo que uma turma de meninos, se juntaram num setor da quadra... estavam todos torcendo por mim... cada vez que eu passava por eles, eles me davam gritos de incentivo!!! Vai, vai L!!!!! Via no rosto deles o desespero, a esperança!!kkkkkkkk Eles estavam em regozijo, por saber que eu estava desbancando o Ramos. Logo eu, quem diria.. o mais nerd da turma... Parecia uma espécie de milagre!!!! Os caras estavam vendo Jesus andar sobre as águas!
Lembro que o professor deu um assovio falso, pensei que os minutos haviam encerrado... então parei e me joguei no chão de cansaço. Mas era um sinal que faltava 1min. Quando eu parei e me joguei no chão, os meninos ficaram desesperados. Me pegaram no colo, me levantaram e me empurraram, dizendo: Não acabou!!! Vai!!! E eu, fui, rumo a vitória!!! hehehehe
A classe inteira comemorou meu grande feito! Ramos, coitado, sentia-se derrotado.
Depois houveram outros testes e em todos eu dava um pau no Ramos.
Teve um dia que ele estava determinado para ganhar de mim. O professor deu a largada e ele saiu num ritmo freneticamente forte.
E eu, em vez de deixar ele ir embora, sabendo que iria morrer no gás e depois eu ultrapassaria ele de boa... resolvi duelar lado a lado, para ver até onde ele ia.
Estava num ritmo muito forte até pra mim. Mas não iria dar mole, confiava no meu potencial. E assim, foi seguindo ao lado dele, seja qual ritmo ele quisesse impor. E por mais que ele tentasse ficar na minha frente, eu não deixava... nem esse gostinho de ele ficar na minha frente por alguns momentos eu iria deixar.
Eis que aos 2min e meio, vejo ele despencar no chão. Quando olho pra trás, ele esta todo deitado contorcendo-se em dor, com a mão na região do abdômem, respirando com grande dificuldade. Parecia que estava agonizando.
Eu estava morto de cansaço tbém, mas continuei até o fim da corrida. Aliás, foi o meu recorde daquele ano, meu melhor índice...
Depois da aula de educação física, haveria mais duas. E onde estava o Ramos?
Fiquei sabendo que ele ficou tão mal, que nem a enfermaria da escola deu jeito, ele foi dispensado para a mãe dele o levar no hospital. kkkkkk
Só posso dizer... Respeita cara!!!
Aula de educação física na quarta série. No fim do ano o professor começou a dar umas provas de corrida. Ninguém gostava pois todo mundo queria é jogar futebol, volei etc.
Começou assim...
Era uma prova de tiro curto. Devia ter cerca de uns 80m no máximo. O professor separava sempre uma bateria com 2 alunos, dava o start e marcava o tempo. Quem tivesse o melhor tempo, tirava a melhor nota e assim, as notas iam baixando conforme essa referência.
E é claro... eu... que andava com os nerds da classe, que era um dos últimos a ser escolhidos no futebol, tomava pau... não ia bem. Mas calma que essa história tem um porém...
Feito a prova, olhávamos o tempo... o cara mais veloz, era um tal de Ramos. E pra piorar o cara era do tipo, metido insuportável. Ele olhava o tempo dele, via que era o melhor e saía falando aos 4 cantos: - O RECORDE É MEU !!!!
Fora que ele era um dos caras que era bom em Futebol e tbém o que tinha sucesso com as menininhas.
Um dia o professor mudou o teste. Ainda era corrida, mas seria teste de longa distância. Em lugar de 80m, seria uma prova de 5min direto, correndo. Como o prof. sempre fazia em ordem alfabética, começaram a ter as primeiras baterias, cerca de uns 15 alunos por bateria... Meu nome, começava com L , logo, eu iria estar na bateria do Ramos.
Quem fizesse mais voltas em torno de 5min era o cara... o Ramos estava confiante...
E eu, estava ansioso. Pois sabia que era hora de desbancar o Ramos. Eu sabia que podia.
Explicando melhor... eu era ruim em esportes, mas eu fazia atletismo e ninguém sabia. Por que eu não ganhei do Ramos na prova de 80m? Porque a minha especialidade sempre foi longas distâncias. Eu corria bem, sabia disso, mas nunca havia me testado na escola.
O professor chama os nomes que irão correr junto. O Ramos está na minha série... é a hora da verdade.
Começa a corrida... Ramos dispara na frente. Eu vou só acompanhado o ritmo dele na maciota, estudando como ele vai proceder. Aos 2min, já vejo que ele tá num ritmo fraco, logo o ultrapasso, depois de brigarmos por algum tempo... ele tenta ficar na minha bota, mas não consegue... me vê distanciando cada vez mais. Seu reinado está acabando.
E é então quando eu percebo que uma turma de meninos, se juntaram num setor da quadra... estavam todos torcendo por mim... cada vez que eu passava por eles, eles me davam gritos de incentivo!!! Vai, vai L!!!!! Via no rosto deles o desespero, a esperança!!kkkkkkkk Eles estavam em regozijo, por saber que eu estava desbancando o Ramos. Logo eu, quem diria.. o mais nerd da turma... Parecia uma espécie de milagre!!!! Os caras estavam vendo Jesus andar sobre as águas!
Lembro que o professor deu um assovio falso, pensei que os minutos haviam encerrado... então parei e me joguei no chão de cansaço. Mas era um sinal que faltava 1min. Quando eu parei e me joguei no chão, os meninos ficaram desesperados. Me pegaram no colo, me levantaram e me empurraram, dizendo: Não acabou!!! Vai!!! E eu, fui, rumo a vitória!!! hehehehe
A classe inteira comemorou meu grande feito! Ramos, coitado, sentia-se derrotado.
Depois houveram outros testes e em todos eu dava um pau no Ramos.
Teve um dia que ele estava determinado para ganhar de mim. O professor deu a largada e ele saiu num ritmo freneticamente forte.
E eu, em vez de deixar ele ir embora, sabendo que iria morrer no gás e depois eu ultrapassaria ele de boa... resolvi duelar lado a lado, para ver até onde ele ia.
Estava num ritmo muito forte até pra mim. Mas não iria dar mole, confiava no meu potencial. E assim, foi seguindo ao lado dele, seja qual ritmo ele quisesse impor. E por mais que ele tentasse ficar na minha frente, eu não deixava... nem esse gostinho de ele ficar na minha frente por alguns momentos eu iria deixar.
Eis que aos 2min e meio, vejo ele despencar no chão. Quando olho pra trás, ele esta todo deitado contorcendo-se em dor, com a mão na região do abdômem, respirando com grande dificuldade. Parecia que estava agonizando.
Eu estava morto de cansaço tbém, mas continuei até o fim da corrida. Aliás, foi o meu recorde daquele ano, meu melhor índice...
Depois da aula de educação física, haveria mais duas. E onde estava o Ramos?
Fiquei sabendo que ele ficou tão mal, que nem a enfermaria da escola deu jeito, ele foi dispensado para a mãe dele o levar no hospital. kkkkkk
Só posso dizer... Respeita cara!!!
terça-feira, 14 de março de 2017
Banho di Loja
A última história de casamento me fez lembrar de uma outra história.
Quando eu era jovem, eu frequentava um grupo esportivo... diga-se de passagem, contra minha vontade. Não gostava de ir lá, das pessoas e pensamentos de lá, mas não vou detalhar muito.
Sabe quando vc éh jovem e tem de acatar com as ordem de seus superiores? Eu não tive escolha.
Bem, frequentei esse ambiente desde muito pequeno. E logo percebi uma coisa... as menininhas não se interessavam por mim. Nunca fui uma pessoa carismática... e em relação a beleza física, tbém não a possuo.
E pra piorar a situação.. nunca fui uma pessoa vaidosa. Minha mãe falava que para frequentar esse lugar, eu teria que usar as roupas mais velhas e acabadas... Pois, era um lugar de terra batida, então, eu sempre voltava sujo de terra... E levei esse conselho a ferro e fogo. Sempre ia com as piores roupas possíveis que eu tinha...Devia parecer um menor abandonado subnutrido. Mas não me importava, eu não tinha autoestima e nem muitas pretensões com as menininhas de lá.
Mas... a concorrência era esperta. Meus colegas, embora tivessem uma vida menos abastada que a minha... se muniam quando se tratava de se vestir. Usavam roupas esportivas legais, tênis legais... e isso dava um UP... no visual... Porque pra dizer a verdade... ôh povinho feio que frequentava aquele lugar.. sério, não tinha um bonito lá. Nem bonita...
As pessoas de lá não tinham inteligência, nem cultura... muito menos carisma.... a situação era grave.
Bem, voltando... dizem que não existem pessoas feias, mas sim, pessoas pobres... talvez eu concorde um pouco.
Uma pessoa daquele âmbito iria casar.. então todos os convidados seriam esse povinho aêee.. e a cerimônia seria por ali mesmo... num salão de eventos...
Como sempre odiei casamentos, teria que ir por obrigação...
Daí que num milagre milagroso... minha mãe resolve comprar um terno pra mim. E um bom sapato... kkkkk... dar mais dignidade para o menino...
Nessa época eu estava fazendo a transição para a puberdade.. então já tinha uma altura e envergadura razoável. Pus o tal terno e descobri... ao olhar no espelho, que eu de terno eu não ficava com cara de segurança de Shopping... nem com cara de japa que trabalha no Bradesco de estagiário. Tinha um ar de dignidade ali. Até minha cachorra me achou estranho.
Quando cheguei no casamento... vi que o povo se assustou comigo.. Aquele mendigo, tomou um banho di loja. Alguns expressaram a surpresa fazendo comentários, brincadeirinhas. Sim, eu estava chamando atenção... mas não peguei ninguém mesmo assim.
Banho di loja = Dignidade. Fim.
Quando eu era jovem, eu frequentava um grupo esportivo... diga-se de passagem, contra minha vontade. Não gostava de ir lá, das pessoas e pensamentos de lá, mas não vou detalhar muito.
Sabe quando vc éh jovem e tem de acatar com as ordem de seus superiores? Eu não tive escolha.
Bem, frequentei esse ambiente desde muito pequeno. E logo percebi uma coisa... as menininhas não se interessavam por mim. Nunca fui uma pessoa carismática... e em relação a beleza física, tbém não a possuo.
E pra piorar a situação.. nunca fui uma pessoa vaidosa. Minha mãe falava que para frequentar esse lugar, eu teria que usar as roupas mais velhas e acabadas... Pois, era um lugar de terra batida, então, eu sempre voltava sujo de terra... E levei esse conselho a ferro e fogo. Sempre ia com as piores roupas possíveis que eu tinha...Devia parecer um menor abandonado subnutrido. Mas não me importava, eu não tinha autoestima e nem muitas pretensões com as menininhas de lá.
Mas... a concorrência era esperta. Meus colegas, embora tivessem uma vida menos abastada que a minha... se muniam quando se tratava de se vestir. Usavam roupas esportivas legais, tênis legais... e isso dava um UP... no visual... Porque pra dizer a verdade... ôh povinho feio que frequentava aquele lugar.. sério, não tinha um bonito lá. Nem bonita...
As pessoas de lá não tinham inteligência, nem cultura... muito menos carisma.... a situação era grave.
Bem, voltando... dizem que não existem pessoas feias, mas sim, pessoas pobres... talvez eu concorde um pouco.
Uma pessoa daquele âmbito iria casar.. então todos os convidados seriam esse povinho aêee.. e a cerimônia seria por ali mesmo... num salão de eventos...
Como sempre odiei casamentos, teria que ir por obrigação...
Daí que num milagre milagroso... minha mãe resolve comprar um terno pra mim. E um bom sapato... kkkkk... dar mais dignidade para o menino...
Nessa época eu estava fazendo a transição para a puberdade.. então já tinha uma altura e envergadura razoável. Pus o tal terno e descobri... ao olhar no espelho, que eu de terno eu não ficava com cara de segurança de Shopping... nem com cara de japa que trabalha no Bradesco de estagiário. Tinha um ar de dignidade ali. Até minha cachorra me achou estranho.
Quando cheguei no casamento... vi que o povo se assustou comigo.. Aquele mendigo, tomou um banho di loja. Alguns expressaram a surpresa fazendo comentários, brincadeirinhas. Sim, eu estava chamando atenção... mas não peguei ninguém mesmo assim.
Banho di loja = Dignidade. Fim.
sábado, 25 de fevereiro de 2017
A verdade crua
Quem não tem beleza, complementa com talento.
Talento é como o adorno de uma pessoa. É como o perfume natural de uma flor. Que seduz e inebria pelo aroma.
Quando vejo uma menina com talento musical, mas digo: "O talento".... digo, genialidade. Nos traços de seu rosto vejo um anjo. Seus dedos finos, dançam no alaúde... e sua música me atormenta.
É assim. Se a visse cotidianamente, teria essa atração? Conseguiria ver além? Não sei...
Sua arte já contaminou meus olhos.
Talento é como o adorno de uma pessoa. É como o perfume natural de uma flor. Que seduz e inebria pelo aroma.
Quando vejo uma menina com talento musical, mas digo: "O talento".... digo, genialidade. Nos traços de seu rosto vejo um anjo. Seus dedos finos, dançam no alaúde... e sua música me atormenta.
É assim. Se a visse cotidianamente, teria essa atração? Conseguiria ver além? Não sei...
Sua arte já contaminou meus olhos.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
A música
Fui convidado para uma festa de casamento, deveria ter por volta de uns 13 anos.
E é claro que eu não queria ir, porque fui convidado por educação, minha presença ali não faria a menor diferença.
Era um casamento duplo, duas irmãs casando com outros dois irmãos. Pessoas que eu conhecia apenas de vista, que já não via há mais de 8 anos.
Mas como é protocolo familiar, tive que ir pra esse casamento por obrigação e educação... o famoso, foi convidado tem de ir pra não fazer desfeita.
Igreja Santo Antônio em Osasco. Pra minha surpresa, ela tinha uma acústica legal, isso eu iria descobrir...
Antes que eu continue essa história...
Meu contato com a música sempre foi um pouco traumática. Cresci ouvindo aquelas berreiras japonesas, chamado Enka... que nada mais éh que música brega japonesa, um mal gosto....E pra piorar, vivi ouvindo isso cantado em Karaokes por velhotes que não acertavam uma nota dentro, uma desafinação monstra... mas assim, por eu ser criança, não ter muito critério, ouvia aquilo e achava normal.. quer dizer, sabia que era ruim, mas meus ouvidos não sangravam ainda.
Voltando para o casamento...
Chega a hora da cerimônia, onde as noivas iriam entrar...
O coral começa a cantar... calculo umas 20 vozes, realmente a memória me falha.
Começaram a cantar aquele trecho da Nona de Beethoven 'Hino a Alegria'.
Não tenho como explicar o que eu senti...quando eu ouvi 20 vozes cantando aquela melodia, e todas afinadas....Meu Deus!!!!
Sério, sem exageros... éh como se meu espírito se arrebentasse, partisse... o choque foi tão grande que pensei que iria deixar o corpo. Foi uma porrada na alma...
Mas como a alma não poderia sair, senti tontura e uma vontade de abrir o berreiro... não chorar, mas abrir o berreiro... estava tonto de tanta emoção.
Tive que fazer um esforço enorme para não chorar, porque fiquei com vergonha... as pessoas iriam achar que eu estaria chorando por causa da entrada das noivas... mas longe disso, aquela música... estava me dilacerando.
Segurei o choro, num esforço hercúleo... quase desmaiei.
Sim, ali descobri que eu tinha sensibilidade. Eu tinha alma...
E é claro que eu não queria ir, porque fui convidado por educação, minha presença ali não faria a menor diferença.
Era um casamento duplo, duas irmãs casando com outros dois irmãos. Pessoas que eu conhecia apenas de vista, que já não via há mais de 8 anos.
Mas como é protocolo familiar, tive que ir pra esse casamento por obrigação e educação... o famoso, foi convidado tem de ir pra não fazer desfeita.
Igreja Santo Antônio em Osasco. Pra minha surpresa, ela tinha uma acústica legal, isso eu iria descobrir...
Antes que eu continue essa história...
Meu contato com a música sempre foi um pouco traumática. Cresci ouvindo aquelas berreiras japonesas, chamado Enka... que nada mais éh que música brega japonesa, um mal gosto....E pra piorar, vivi ouvindo isso cantado em Karaokes por velhotes que não acertavam uma nota dentro, uma desafinação monstra... mas assim, por eu ser criança, não ter muito critério, ouvia aquilo e achava normal.. quer dizer, sabia que era ruim, mas meus ouvidos não sangravam ainda.
Voltando para o casamento...
Chega a hora da cerimônia, onde as noivas iriam entrar...
O coral começa a cantar... calculo umas 20 vozes, realmente a memória me falha.
Começaram a cantar aquele trecho da Nona de Beethoven 'Hino a Alegria'.
Não tenho como explicar o que eu senti...quando eu ouvi 20 vozes cantando aquela melodia, e todas afinadas....Meu Deus!!!!
Sério, sem exageros... éh como se meu espírito se arrebentasse, partisse... o choque foi tão grande que pensei que iria deixar o corpo. Foi uma porrada na alma...
Mas como a alma não poderia sair, senti tontura e uma vontade de abrir o berreiro... não chorar, mas abrir o berreiro... estava tonto de tanta emoção.
Tive que fazer um esforço enorme para não chorar, porque fiquei com vergonha... as pessoas iriam achar que eu estaria chorando por causa da entrada das noivas... mas longe disso, aquela música... estava me dilacerando.
Segurei o choro, num esforço hercúleo... quase desmaiei.
Sim, ali descobri que eu tinha sensibilidade. Eu tinha alma...
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
Ela
Ela cortou os pulsos
Suportou as dores
Sufocou as lágrimas
e desdenhou amores
Fez do sangue batom
Beijou a minha face
Pediu-me que a abraçasse
E condoída suspirou
Bela e enfraquecida
Convulsa e ajoelhada
Desperdiçando a vida
Entre as próprias gargalhadas
Morreu triste e sorrindo
Com os olhos fechados
e as chagas se abrindo
Era um anjo lindo
Tinha os lábios despertos
e o coração ferido.
Suportou as dores
Sufocou as lágrimas
e desdenhou amores
Fez do sangue batom
Beijou a minha face
Pediu-me que a abraçasse
E condoída suspirou
Bela e enfraquecida
Convulsa e ajoelhada
Desperdiçando a vida
Entre as próprias gargalhadas
Morreu triste e sorrindo
Com os olhos fechados
e as chagas se abrindo
Era um anjo lindo
Tinha os lábios despertos
e o coração ferido.
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